O Custo Real de Ignorar a Proteção Radiológica nas Clínicas de Saúde

O verdadeiro custo de ignorar a proteção radiológica raramente está no valor da coima.
Encerramentos temporários, perda de faturação, desgaste reputacional e despesas jurídicas inesperadas são consequências frequentes de falhas que poderiam ter sido prevenidas.

Neste artigo explicamos porque a proteção radiológica é uma decisão de gestão — e não apenas uma obrigação legal.

Do lado esquerdo, vemos uma mala com moedas douradas, equipamentos que emitem radiação ionizante, e um símbolo de radioatividade. À direita, vemos um gestor clínico preocupado com a suspensão temporária da sua clínica.

Quando se fala em proteção radiológica, a preocupação mais comum entre gerentes e diretores clínicos centra-se quase sempre no mesmo ponto: o valor das coimas.

Quanto custa a multa? Qual é o risco financeiro direto?

Esta visão, embora compreensível, é profundamente redutora.” Na prática, o verdadeiro custo de ignorar ou desvalorizar a proteção radiológica raramente está na coima aplicada, está nas consequências que surgem antes, durante e depois do processo.

Após vários anos a acompanhar clínicas de saúde humana e veterinária, a Legal IN tem verificado que os impactos financeiros mais graves são, quase sempre, invisíveis à primeira vista e dificilmente quantificados no imediato.

Um dos primeiros custos surge sob a forma de encerramento temporário da atividade. Uma irregularidade detetada durante uma inspeção pode levar à suspensão parcial ou total do uso de equipamentos com radiação ionizante até que a situação seja corrigida. Mesmo que a clínica continue formalmente aberta, a impossibilidade de realizar determinados exames ou tratamentos compromete diretamente a operação. Cada dia sem atividade clínica plena representa faturação perdida que nunca será recuperada.

A esta perda direta soma-se um efeito mais silencioso, mas duradouro: a perda de confiança dos pacientes. A perceção de que existe um problema relacionado com segurança ou conformidade legal afeta a imagem da clínica, mesmo quando o incidente não chega ao conhecimento público. Cancelamentos, adiamentos e a migração para outras unidades de saúde são reações frequentes, sobretudo num mercado cada vez mais competitivo e sensível à reputação.

Outro custo frequentemente ignorado é o jurídico. Muitas clínicas apenas recorrem a advogados ou consultores especializados depois de o problema existir, quando já há um processo administrativo instaurado, prazos a correr e decisões a contestar. Nesta fase, os honorários legais deixam de ser um investimento preventivo e passam a ser um custo de mitigação de danos. Acrescem ainda despesas com pareceres técnicos urgentes, reformulação apressada de procedimentos e, em alguns casos, necessidade de substituir equipamentos ou adaptar instalações sem planeamento financeiro.

Quando se compara prevenção com correção, a diferença é clara. A prevenção permite identificar falhas antes de se tornarem infrações, ajustar procedimentos de forma faseada e integrar a proteção radiológica na gestão normal da clínica. A correção, pelo contrário, é quase sempre reativa, feita sob pressão, com prazos impostos externamente e com um impacto financeiro concentrado num curto espaço de tempo.

Então porque continuam tantas clínicas a adiar este investimento?

Em grande parte, porque a proteção radiológica é vista como uma obrigação abstrata, distante do dia a dia e sem retorno visível imediato. Enquanto tudo “funciona”, a tentação de adiar revisões, formações ou acompanhamentos técnicos é grande. O problema é que este equilíbrio é frágil e pode ser quebrado por um único evento: uma inspeção mais exigente, uma denúncia, uma alteração legislativa ou um incidente inesperado.

Ignorar a proteção radiológica não é uma poupança, é apenas um custo adiado. E, quando chega, raramente vem sozinho. Para quem gere uma clínica, a verdadeira questão não é quanto custa cumprir, mas quanto custa não estar preparado quando o cumprimento deixa de ser opcional. A resposta, quase sempre, vai muito além do valor inscrito numa coima.

Vamos clarificar riscos ou rever a conformidade da sua clínica?

A equipa da Legal IN acompanha unidades de saúde humana e veterinária na avaliação preventiva de riscos legais e radiológicos, ajudando a transformar obrigações regulamentares em decisões de gestão informadas. Estamos disponíveis para analisar o seu caso e esclarecer dúvidas antes que se transformem em problemas.


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