Gestão Financeira e Otimização de Custos

A proteção radiológica não é apenas uma exigência legal, mas também um fator crítico na gestão financeira de clínicas com equipamentos de radiação ionizante.

Um planeamento adequado dos custos, contratos e obrigações permite evitar multas, interrupções da atividade e despesas inesperadas, garantindo sustentabilidade, segurança e conformidade legal a longo prazo.

imagem descritiva de gestão financeira e otimização de custos com proteção readiológica em clínicas.

Introdução

A proteção radiológica, para além de ser um requisito clínico e legal, é igualmente uma área com impacto direto na gestão financeira da clínica.
Quando mal gerida, pode tornar-se uma fonte significativa de custos inesperados, podendo mesmo comprometer a sustentabilidade do negócio. Uma falha administrativa ou técnica pode resultar em:

  • multas elevadas aplicadas pela APA ou pela ERS,

  • na interrupção imediata da atividade clínica,

  • na perda da licença para operar ou, no pior dos cenários,

  • no aumento do risco para pacientes e trabalhadores, originando responsabilidades profissionais e legais.

Assim, a proteção radiológica deve ser encarada não apenas como uma obrigação regulamentar, mas também como uma componente essencial de gestão e planeamento financeiro.

Nesse contexto, torna-se fundamental que o titular da instalação desenvolva competências específicas de controlo de custos associados à proteção radiológica, conhecendo claramente:

  • quanto custa cada obrigação, desde testes de controlo de qualidade a consultorias;

  • quando cada despesa deve ser paga ou renovada, evitando incumprimentos;

  • onde estão arquivados os documentos correspondentes, para facilitar inspeções;

  • como prever e distribuir gastos futuros, garantindo liquidez e planeamento sustentável.

Ao observar a clínica como uma unidade empresarial, podemos distinguir entre custos que são comuns a todas as áreas da clínica, e custos que são exclusivos da proteção e segurança radiológica.

Custos Exclusivos da Proteção Radiológica

Estes são inerentes às práticas com radiação ionizante, e não se aplicam a outras áreas clínicas:

  • Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) específicos para radiação

  • Dosimetria individual dos colaboradores

  • Formação obrigatória em proteção radiológica

  • Nomeação e atuação do DPR

  • Consultoria do Especialista em Física Médica

  • Manutenção preventiva dos equipamentos radiológicos

  • Ensaios de controlo e garantia de qualidade

Custos Partilhados com Outras Valências da Clínica

Existem também despesas que, embora necessárias para a área radiológica, pertencem ao funcionamento global da clínica:

  • Planta e desenho arquitetónico da instalação;

  • Projetos de especialidades (AVAC, eletricidade, ventilação, etc.);

  • Higiene e Segurança no Trabalho;

  • Medicina do Trabalho;

A gestão financeira eficiente exige que estas despesas sejam previstas, discriminadas e calendarizadas ao longo do ano, de forma a evitar surpresas e garantir que nenhuma obrigação legal fica por cumprir.

Planeamento e Calendarização Anual de Gastos Legais

Uma clínica organizada deve manter um quadro atualizado contendo todas as obrigações, a periodicidade, o mês de renovação e o custo estimado.

Um exemplo de planeamento anual seria:

Exemplo de planeamento anual de gastos legais de uma clínica de saúde em Portugal.

Este quadro permite ao titular da instalação antecipar custos, garantir a conformidade legal e assegurar que a proteção radiológica não se torna uma fonte de pressão financeira inesperada.

A Gestão Contratual

Um dos aspetos mais relevantes na gestão dos custos da proteção radiológica é a capacidade de negociar e gerir contratos com fornecedores.

Estes contratos, quando mal organizados, podem resultar em duplicação de serviços, pagamentos excedentários ou incumprimento legal.

A gestão contratual deve incluir:

  • Verificação da credenciação dos fornecedores, garantindo que estão acreditados pelo IPAC (Instituto Português de Acreditação) ou possuem habilitação técnica adequada.

  • Confirmação das datas de renovação, evitando períodos de inatividade ou renovação automática sem necessidade.

  • Negociação de contratos plurianuais, que frequentemente reduzem custos e asseguram estabilidade financeira.

  • Evitar sobreposições contratuais, como ter simultaneamente dois contratos de controlo de qualidade ou dois serviços de Física Médica.

Conclusão

Em suma, a proteção radiológica deve ser encarada como uma área clínica, legal e estrategicamente financeira.

O titular que domina estes custos assegura não só a conformidade da clínica, mas também a sua segurança económica, evitando riscos, multas e interrupções da atividade — e contribuindo para uma prática mais organizada, eficiente e segura.

Este tema é parte integrante de um módulo do programa de formação da Legal In, desenvolvido para apoiar empresas e profissionais na interpretação prática da legislação e na aplicação correta das normas de SST.

Tem alguma dúvida? A nossa equipa especializada tem todo o gosto de a esclarecer!
Não hesite em contactar-nos.


Veja Também…

Anterior
Anterior

O Que os Dentistas Mais Temem VS Com o Que Realmente se Devem Preocupar

Próximo
Próximo

Empresas de Medicina e Segurança no Trabalho