Raio-X, TAC e CBCT, quanta radiação recebe o paciente?

Equipamento de CBCT numa sala de imagiologia, ilustrando a radiação do raio x, TAC e CBCT

Quem faz um exame de imagem pergunta quase sempre o mesmo: quanta radiação estou a receber? A resposta varia muito. Uma radiografia dentária e uma TAC ao abdómen estão em escalas completamente diferentes.



Como se mede a dose de radiação num exame

A dose de radiação recebida num exame é normalmente expressa em dose efetiva, medida em milisievert (mSv) ou em microsievert (µSv). Um milisievert corresponde a mil microsievert.

A dose efetiva permite comparar exames diferentes numa mesma escala, porque tem em conta a zona do corpo exposta e a sensibilidade de cada órgão.

Uma referência útil é a radiação natural. Todos estamos expostos a ela, vinda do solo, do ar e do espaço. Segundo o Comité Científico das Nações Unidas (UNSCEAR), a média mundial é de cerca de 2,4 mSv por ano. Comparar um exame com os dias ou meses de radiação natural equivalentes ajuda a pôr os números em perspetiva.

Os valores deste guia são valores típicos para um adulto. A dose real depende do equipamento, do protocolo usado, da zona estudada e da constituição do paciente.


Radiação do raio x: a dose mais baixa

A radiografia convencional usa uma exposição curta e produz uma imagem a duas dimensões. Por isso, a radiação do raio x é a mais baixa entre os exames com radiação ionizante.

  • Radiografia dentária intraoral: cerca de 0,005 mSv, o equivalente a menos de um dia de radiação natural.
  • Radiografia panorâmica dentária: entre 0,003 e 0,023 mSv, conforme o equipamento.
  • Radiografia ao tórax: cerca de 0,1 mSv, o equivalente a cerca de duas semanas de radiação natural.
  • Mamografia digital de rastreio: cerca de 0,28 mSv, o equivalente a pouco mais de um mês.

Em regra, um raio x isolado representa uma fração muito pequena da exposição anual de uma pessoa. Ainda assim, não deixa de ser radiação ionizante. Cada exame deve ter uma indicação clínica que o justifique.


Radiação na TAC: a dose mais elevada

A tomografia axial computorizada obtém muitas imagens em sequência e reconstrói cortes do corpo. O detalhe é muito superior ao da radiografia, mas a radiação da TAC também é bastante mais alta.

  • TAC ao crânio: cerca de 1,6 mSv, o equivalente a cerca de oito meses de radiação natural.
  • TAC ao tórax: cerca de 6,1 mSv, o equivalente a cerca de dois anos e meio.
  • TAC ao abdómen e pélvis: cerca de 7,7 mSv, o equivalente a cerca de três anos.

Uma TAC ao abdómen pode, assim, corresponder a dezenas de radiografias ao tórax. Isto não torna o exame perigoso quando está bem indicado. O benefício de um diagnóstico rigoroso supera, na generalidade dos casos, o risco associado à dose.

A questão está na repetição desnecessária. É por isso que a justificação de cada exame é tão importante, sobretudo em doentes que fazem TAC com frequência.


CBCT e radiação: entre o raio x e a TAC

O CBCT (tomografia computorizada de feixe cónico) é muito usado em medicina dentária, por exemplo no planeamento de implantes. Produz imagens tridimensionais, tal como a TAC, mas com um feixe e um volume diferentes. Se quiser conhecer o equipamento, explicamos o que é um CBCT.

No que toca a CBCT e radiação, a dose depende sobretudo do tamanho da área estudada (o campo de visão):

  • CBCT de campo pequeno (alguns dentes): entre cerca de 0,011 e 0,1 mSv.
  • CBCT de campo grande (maxilares e face): entre cerca de 0,03 e pouco mais de 1 mSv, conforme o equipamento.
  • TAC médica da mesma zona (maxilares): entre cerca de 0,18 e 2,1 mSv.

Para volumes equivalentes, o CBCT tem, em regra, uma dose inferior à da TAC. Mas é superior à de uma radiografia dentária ou de uma panorâmica. Escolher o campo de visão mais pequeno que responda à pergunta clínica é uma das formas mais eficazes de reduzir a dose.

Analisamos as diferenças técnicas e jurídicas entre os dois exames em CBCT vs TAC.


Tabela comparativa de doses

Resumo dos valores típicos para um adulto, ordenados da dose mais baixa para a mais alta:

  • Radiografia dentária intraoral: 0,005 mSv (menos de 1 dia de radiação natural)
  • Radiografia panorâmica: 0,003 a 0,023 mSv (até cerca de 4 dias)
  • CBCT de campo pequeno: 0,011 a 0,1 mSv (2 dias a 2 semanas)
  • Radiografia ao tórax: 0,1 mSv (cerca de 2 semanas)
  • Mamografia digital: 0,28 mSv (pouco mais de 1 mês)
  • CBCT de campo grande: 0,03 a cerca de 1 mSv (até cerca de 5 meses)
  • TAC ao crânio: 1,6 mSv (cerca de 8 meses)
  • TAC ao tórax: 6,1 mSv (cerca de 2 anos e meio)
  • TAC ao abdómen e pélvis: 7,7 mSv (cerca de 3 anos)

A ressonância magnética e a ecografia não usam radiação ionizante, por isso não constam da tabela. Comparamos os vários exames de imagem em diferenças entre exames de imagem.


O que estes valores significam para o paciente

Os efeitos das doses usadas em diagnóstico são de natureza probabilística. Não há um limiar a partir do qual o dano seja certo. Por isso, a regra é simples: cada exame deve trazer um benefício que justifique a dose.

Há situações que merecem atenção redobrada:

  • Crianças e jovens, que são mais sensíveis à radiação e têm mais anos de vida pela frente.
  • Grávidas ou mulheres que possam estar grávidas, que devem informar sempre o profissional antes do exame.
  • Doentes que fazem exames repetidos, para quem a exposição acumulada pesa mais.

O paciente tem direito a ser informado sobre o exame e os seus riscos, e a perguntar se existe uma alternativa sem radiação. Desenvolvemos este tema em proteção radiológica dos pacientes e em consentimento informado em proteção radiológica.


O que a lei exige à clínica que realiza os exames

Do lado de quem realiza o exame, a dose não é apenas uma questão clínica. É uma obrigação de compliance. Em Portugal, as práticas com radiações ionizantes estão sujeitas ao Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de dezembro, que transpõe a Diretiva 2013/59/EURATOM.

Este regime assenta nos princípios da justificação e da otimização: nenhum exame deve ser feito sem benefício que o justifique, e a dose deve ser a mais baixa possível para obter a informação necessária. Explicamos a justificação em detalhe no artigo sobre justificação da prática radiológica.

O tipo de equipamento também muda as obrigações administrativas. A radiologia dentária convencional está sujeita a registo. Já a TAC e o CBCT estão sujeitos a licenciamento junto da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), por serem modalidades de tomografia computorizada.

Na prática, a clínica tem de conseguir demonstrar que cumpre: equipamento legalizado, protocolos adequados, profissionais com formação e auditorias em dia. Numa fiscalização, o que não está escrito, não existe. Veja o que envolve uma auditoria em proteção radiológica.


Fontes dos valores de dose: RadiologyInfo.org (ACR e RSNA), projeto europeu SEDENTEXCT e UNSCEAR. Valores indicativos, que não substituem a avaliação do profissional de saúde.


Se a sua clínica tem ou vai instalar equipamentos de raio x, TAC ou CBCT, a Legal In acompanha todo o processo de legalização de equipamentos radiológicos.



Perguntas Frequentes

 

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