Fevereiro: Ignorar a Proteção Radiológica Parecia uma Poupança, até Deixar de Ser

Uma clínica devidamente licenciada, com atividade regular e equipa experiente, foi surpreendida por uma inspeção que identificou falhas na aplicação prática das regras de proteção radiológica.

Não se tratava de uma situação extrema nem de um acidente. O equipamento estava autorizado, a documentação existia e a clínica nunca tinha sido alvo de coimas relevantes.
Ainda assim, a fiscalização resultou na abertura de um processo administrativo e na imposição de medidas corretivas imediatas.

O erro invisível esteve na forma como a proteção radiológica era encarada: como um requisito formal e não como uma componente integrada da gestão. A formação tinha sido realizada para cumprir horas, os procedimentos existiam mas não eram revistos, e a supervisão do uso diário dos equipamentos era assumida como automática.
Durante anos, nada correu mal e isso reforçou a ideia de que investir mais nesta área seria um custo desnecessário.

Esse equilíbrio aparente quebrou-se no momento da inspeção. As falhas identificadas não eram novas, apenas nunca tinham sido tratadas como prioridade. A resposta deixou de ser preventiva e passou a ser reativa.

A clínica foi obrigada a suspender temporariamente a utilização de determinados equipamentos até regularização, o que teve impacto direto na sua capacidade de resposta clínica e na faturação mensal.

O impacto financeiro revelou-se muito superior ao valor de qualquer eventual coima. Houve perda de receitas durante o período de limitação da atividade, custos urgentes com apoio jurídico e técnico, necessidade de reformular procedimentos sob prazos apertados e um desgaste significativo da confiança interna da equipa.
Alguns pacientes optaram por procurar alternativas, não por existir um problema público, mas pela perceção de instabilidade operacional.

Neste contexto, a proteção radiológica deixou de ser uma linha abstrata da legislação e passou a ser um fator determinante na viabilidade do negócio. Resolver depois revelou-se muito mais caro do que prevenir.
O investimento que durante anos foi adiado teve de ser feito de forma concentrada, sem margem de planeamento e com impacto imediato na tesouraria.

O que poderia ter sido feito antes não passava por excessos técnicos, mas por uma abordagem diferente: encarar a proteção radiológica como uma ferramenta de controlo de risco, rever práticas reais, alinhar formação com o dia a dia da clínica e integrar esta matéria nas decisões de gestão.

A experiência da Legal IN demonstra que as clínicas que investem na prevenção raramente enfrentam estes cenários, não porque nunca sejam fiscalizadas, mas porque estão preparadas quando o são.

Ignorar a proteção radiológica pode parecer uma poupança enquanto nada acontece. Quando algo acontece, percebe-se que o custo real nunca esteve na coima, mas em tudo o que foi perdido pelo caminho.

Esta foi a edição de Fevereiro da nova rubrica mensal da Legal IN: O Que Não Vem no Processo.
Continue a acompanhar-nos!

Edições Anteriores

Próximo
Próximo

Janeiro: a Clínica Estava Licenciada, Mas a Licença já não Protegia